Você foge tanto de si mesmo que às vezes até faz sentido.

Tenho pra mim que uma das maiores covardias de se cometer consigo mesmo seja a negação do eu como indivíduo. Você pode negar a si mesmo frente aos outros, muito comum, inclusive, quando você concorda apenas cedendo à pressão que o cerca e indo contra os seus pensamentos. Há muito para se negar quando se é humano, mas talvez o maior crime contra a própria natureza seja a negação da potência imanente em cada indivíduo.
Atualmente eu vivo esta negação, mas com pensamento de mudança. Este site, por sinal, é um grito meu contra este crime que muitos cometem de negar a busca pela perfeição inalcançável.
Esse tesão para mudanças individuais se criou muito pela minha raiva contra minha inteligência (ou falta dela) e repertório limitados. Sempre fui crítico da mediocridade e da superficialidade das pessoas, enquanto eu também vivia com minhas limitações bem estreitas, mas conseguia, algumas vezes, mascará-las com o pouco de conhecimento que tinha.
É preciso se tornar alguém melhor, para que justamente através dessa plenitude e satisfação, possa estar disposto a contribuir coletivamente para um bem social. A resposta não é viver eternamente cercado por livros e se tornar um moralista, já que acredito que aquele que, antes de tudo, admite suas limitações consegue, no mínimo, ver a ignorância do próximo e as ilusões que a mediocridade traz. Não sendo também o senhor da verdade e reconhecendo que, no fim, somos todos frutos do nosso consumo e do nosso ambiente, que inevitavelmente nunca iremos saber de tudo e, assim, também teremos nossas ilusões.
Mas, se mesmo assim temos ilusões, qual seria a diferença? A diferença elementar estaria no senso crítico, na possibilidade de sempre questionar e duvidar, de não ser apenas mais um escravo das convenções. Em resumo, a possibilidade de olhar para além do próprio quintal, mesmo não sendo possível ver todo o mundo dali.
Este é um caminho difícil, quando consideramos a atualidade e todas as estruturas em que vivemos, que atuam contra a disseminação de conhecimento. Mesmo que tenhamos um mar de conhecimentos nas mãos, os mesmos mecanismos que nos fornecem isso trabalham para que nossa atenção se direcione para onde lhes convém, longe de todo conhecimento, já que é conveniente para as Big Techs uma massa zumbificada. O emburrecimento se torna convenção e, assim, criticá-lo se torna motivo de zombaria. Mas não perca tempo se revoltando porque o seu colega chão de fábrica apertou na urna dois números diferentes dos seus, são sintomas do nosso tempo. Construa senso crítico, não se feche em uma bolha, não aceite nenhum lado ou alguém lhe dizer o que você deve ler ou ouvir, ou até com quem deve conversar, exerça sua liberdade sem medo das repressões moralistas, questione e seja curioso, leia muito e se afaste dos mecanismos de distrações que viciam e que ferem sua capacidade cognitiva. Longe de mim dar-lhe um conselho ou dizer o que deveria fazer, mas compartilho isso porque farei e o convido para mudarmos juntos. No fim, o ET Bilu estava certo: busquem conhecimento.
O caminho ideal para mim, no momento, sem dúvida, é o fechamento em mim mesmo, onde restará apenas o eu e minha própria ignorância, a qual busco através do meu esforço combatê-la diariamente, talvez nunca a vencendo completamente, mas mantendo um bom combate até o restante dos meus dias.

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